Professora Tânia Márcia Pereira da Silva Fujii explica que estudantes típicos e atípicos precisam compartilhar os mesmos espaços, experiências e oportunidades de aprendizagem
A professora de apoio da Rede Municipal de Ensino de Ponta Porã, Tânia Márcia Pereira da Silva Fujii, que também atua como tradutora e intérprete de Libras e é coordenadora do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) – Campus Ponta Porã, é a autora do projeto Jardim das Sensações, desenvolvido na Escola Municipal Prefeito Adê Marques.
Segundo a professora, o projeto nasceu com o propósito de transformar a inclusão em uma experiência concreta no ambiente escolar. Para Tânia Márcia, estudantes típicos e atípicos precisam compartilhar os mesmos espaços e experiências, participando efetivamente das atividades, sem separações.
A professora, que é uma pessoa autista, conta que a ideia surgiu a partir dessa percepção. A partir daí, elaborou a proposta e submeteu o projeto ao IFMS, no âmbito do Edital de Atividades de Extensão Inclusivas. A iniciativa foi acolhida pela Escola Municipal Prefeito Adê Marques, que se tornou parceira e possibilitou o desenvolvimento das atividades junto aos estudantes e à comunidade escolar.
“Foi exatamente aí, nesse momento, que a Escola Municipal Prefeito Adê Marques acolheu a iniciativa e tornou-se parceira do projeto, possibilitando seu desenvolvimento junto aos estudantes e à comunidade escolar”, afirma.
Espaço de aprendizagem
Inaugurado com a presença do prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos, e da secretária municipal de Educação, Eliana Fernandes, o Jardim das Sensações foi concebido, segundo Tânia Márcia, muito além de um espaço de convivência ou de um conjunto de plantas.
“Desde a sua concepção, o Jardim das Sensações não foi pensado apenas como um espaço bonito ou como um conjunto de plantas. Ele foi planejado como um ambiente pedagógico permanente, no qual os estudantes podem explorar o tato, o olfato, a visão, a audição e o paladar, transformando os conteúdos trabalhados em sala de aula em experiências concretas, significativas e inclusivas”, destaca.
A professora explica que o espaço funciona como uma extensão da sala de aula e incorpora princípios da metodologia da sala de aula invertida. Os estudantes têm contato prévio, em sala, com conceitos, imagens, histórias e outros conteúdos relacionados aos sentidos e à natureza. Depois, no Jardim das Sensações, aplicam e ampliam esses conhecimentos por meio de atividades práticas.
“Dessa forma, deixam de ser apenas receptores de informações e passam a participar ativamente da construção da própria aprendizagem”, enfatiza.
Inclusão para todos
Outro fundamento destacado pela professora é o conceito de inclusão reversa. Segundo ela, a proposta não consiste em criar atividades separadas para estudantes com deficiência, mas em preparar o ambiente para que todos possam participar conjuntamente, respeitando as necessidades individuais e valorizando as potencialidades de cada criança.
“Isso significa que não criamos uma atividade isolada destinada somente ao estudante com deficiência. O ambiente e as práticas pedagógicas são preparados para que todos participem juntos, respeitando as necessidades individuais e valorizando as potencialidades de cada criança”, explica.
Tânia Márcia ressalta que a realização do projeto foi possível graças à participação de diferentes profissionais e instituições.
“O projeto somente foi possível porque a ideia encontrou pessoas e instituições dispostas a colaborar. O professor João teve papel fundamental na execução e na organização técnica do espaço. A professora regente contribuiu para aproximar o Jardim da realidade pedagógica dos estudantes, enquanto a direção da Escola Municipal Prefeito Adê Marques possibilitou a articulação com a comunidade”, acrescenta.
Participação de toda a comunidade escolar
A professora também faz questão de destacar que a construção e o embelezamento do Jardim das Sensações envolveram toda a escola, com cada atividade desenvolvida a partir de uma intencionalidade pedagógica.
“O painel sensorial foi produzido por uma professora juntamente com sua turma, proporcionando uma atividade coletiva de criação e exploração de diferentes texturas. Os pufes confeccionados com garrafas PET foram produzidos por um profissional de apoio, unindo reaproveitamento de materiais, sustentabilidade e convivência. O balanço e o portão também foram construídos por profissionais de apoio, contribuindo para tornar o ambiente mais acolhedor, acessível e funcional”, relata.
Para Tânia Márcia, cada elemento presente no Jardim das Sensações possui uma função que vai muito além da ornamentação.
“As plantas, os materiais sensoriais, o painel, os pufes, o balanço e os demais recursos favorecem a aprendizagem, a interação, a percepção dos sentidos, a consciência ambiental e o sentimento de pertencimento dos estudantes”, afirma.
Ela define o projeto como resultado de uma construção coletiva, a partir de uma ideia que foi institucionalizada pelo IFMS e concretizada com a participação de profissionais, estudantes e parceiros.
“Assim, o Jardim das Sensações é resultado de uma ideia idealizada e proposta por mim, institucionalizada pelo IFMS e concretizada com a participação de muitas mãos, em parceria com a Prefeitura de Ponta Porã, por meio da Escola Municipal Prefeito Adê Marques. Nossa expectativa é que ele permaneça vivo e seja continuamente utilizado como espaço de aprendizagem, convivência, respeito às diferenças e desenvolvimento de novas práticas inclusivas”, afirma.
Muitas mãos na construção do projeto
Ao falar sobre a implantação do Jardim das Sensações, Tânia Márcia também faz questão de reconhecer a participação de todos os envolvidos, desde os estudantes da Escola Municipal Prefeito Adê Marques, que foram protagonistas na apresentação realizada durante a inauguração, até professores, servidores e acadêmicos que contribuíram para a execução da proposta.
Entre os participantes, ela destaca o professor-mestre do IFMS João Lucas da Costa Santos, responsável pela execução do projeto, além do diretor de Administração do IFMS, José, da diretora de Ensino, Pesquisa e Extensão do IFMS, professora Lígia, dos estudantes bolsistas do Instituto e dos estudantes voluntários dos cursos de Agronomia e Técnico Integrado em Agricultura.
Também participaram diversos colaboradores da Escola Municipal Prefeito Adê Marques, entre eles a professora Claudinha, do 5º ano B, que esteve envolvida na execução do projeto.
Para a idealizadora, essa participação coletiva reforça justamente um dos principais princípios do Jardim das Sensações: a construção de um ambiente em que todos possam participar, aprender, conviver e contribuir.
“É um projeto construído por muitas mãos e que tem como principal objetivo mostrar que a inclusão acontece quando todos podem compartilhar os mesmos espaços, experiências e oportunidades de aprendizagem.”
*Edilson José, Assessoria de Comunicação










